Gravata e Sapatinho: Aquilo que você precisa saber antes de incluí-los no seu Grande Dia!

O corte da gravata e, mais recentemente, a passagem do sapatinho da noiva, já se tornaram figuras carimbadas nas festas de casamento brasileiras. Trata-se de uma ação para arrecadar fundos para a lua de mel dos noivos através da ajuda dos convidados (em alguns casos ajuda os noivos a quitarem contas pendentes do próprio casamento). Em troca da contribuição, eles recebem um pedaço da gravata do noivo ou alguma outra lembrança. Balões, chaveiros, pelúcias, doses de bebidas e adesivos com frases descontraídas estão entre as mais escolhidas.

Entretanto, esta é uma brincadeira que vem dividindo opiniões. Seria mesmo de bom tom pedir aos convidados que financiem a viagem dos noivos? Afinal, para estarem ali, muitos deles já investiram em roupas, salão de beleza, presente de casamento, chá bar, entre outras despesas. Mas esse é apenas um dos motivos que levam alguns noivos a deixarem de lado essa parte da festa ou a encontrarem novas maneiras de introduzi-la.

Durante o corte da gravata e/ou da passagem do sapatinho, o convidado pode se sentir pressionado a doar uma boa quantia de dinheiro, já que aqueles que contribuem com valores menores, ou que simplesmente não contribuem, costumam passar por situações constrangedoras, principalmente se os noivos forem simpatizantes dos famosos adesivos com dizeres do tipo “Mão de vaca” ou “Só vim pra comer”.

Há aqueles que não abrem mão do momento, pois o consideram uma tradição. Para estes, vale aplicar o bom senso. Conhecer bem seus familiares e amigos e saber se esse tipo de brincadeira os agrada é fundamental. Além disso, hoje em dia já existem formas mais sutis de se fazer a famosa “vaquinha” dos noivos. Uma delas, que vem se popularizando, é a de criar um site sobre o casamento e, dentro dele, adicionar um espaço para as arrecadações. Quando o valor cai, os noivos ficam sabendo quem contribuiu. Outra ideia é realizar o leilão de um objeto, geralmente uma pelúcia de vaquinha, e arrecadar os valores dos lances. Você pode ainda, colocar uma espécie de cofre decorado em algum canto do salão e deixar que o convidado que deseja contribuir vá até ele e deposite uma quantia.

Existem ainda formas mais bem-humoradas de se conduzir a brincadeira, para aqueles que contam com convidados mais extrovertidos. Você pode:
• Oferecer um shot de alguma bebida alcoólica de sua preferência para cada convidado que deixar uma quantia pré-determinada. Por exemplo: Um shot de Tequila para cada R$ 50,00;
• Seguindo o mesmo esquema do tópico anterior, oferecer um selinho do noivo. Um selinho a cada R$ 30,00, por exemplo;
• Cortar a cueca do noivo. No lugar de um pedaço da gravata, você pode optar por dar um pedaço da cueca do noivo para aquele convidado que decidir contribuir.

São várias as possibilidades! Escolher uma delas ou criar uma totalmente nova fica à critério dos noivos e de seu conhecimento prévio a respeito de seus convidados. Nos dias de hoje, até a forma de envio da quantia é opcional, podendo ser não somente em dinheiro vivo, mas também através de máquinas de cartão!

Aqui vão algumas dicas para aqueles que não pensam em excluir a brincadeira de sua festa:
• Se um determinado convidado não desejar contribuir, não insista, para que ele não se sinta pressionado ou envergonhado;
• Não evidencie os valores arrecadados. Caso um convidado contribua com uma quantia muita alta, esconda o dinheiro embaixo de outras notas com valores menores;
• Ao invés de recompensar os convidados apenas com um pedaço da gravata, dê alguma lembrancinha;
• Se você decidir optar por colar adesivos nos convidados, escolha frases mais agradáveis como “Já fiz a minha parte” ou “Operação Lua de Mel: eu apoio”. Assim a brincadeira continua divertida e não ofende a ninguém.

Mas qual é a real opinião dos noivos e convidados a respeito do tema? Confira abaixo o que dizem os entrevistados:

Gilson, profissional da área de vídeo há aproximadamente 09 anos, conta sua experiência:
“Eu acho uma coisa um pouco deselegante. É uma cultura que o pessoal adquiriu com o tempo e eu não sei se tem um total sentido para o casamento. […] E fica constrangedor porque, os convidados, quando vão fazer a gravata, a maioria está bêbada e acaba desrespeitando, falando que a pessoa deu pouco… E isso é um constrangimento pra você (noivo ou noiva) que gosta do seu convidado e chamou ele porque tem consideração por ele.”

Samira, que se casou em 2018, conta:
“Eu não acho legal. Tive no meu casamento, mas eu só passei a gravata porque o meu marido queria muito, por causa da diversão, da brincadeira dos homens. Por mim não teria nenhum dos dois (gravata ou sapatinho), porque eu acho que já é um gasto muito excessivo pra todos os convidados. Cabelo, maquiagem, às vezes presente… Então eu não acho necessário passarem gravata, muito menos o sapatinho.”

A noiva Beatriz deixa a opinião:
“Eu acho muito bacana. Se os noivos sabem conduzir direitinho, não fica aquele “cúmulo da cobrança”, fica divertido. Eu, todo casamento que eu vou, gosto de ficar junto porque acho muito divertido todo mundo gritando, pulando… Sempre gostei. No meu casamento eu fiz, não me arrependo, foi muito legal. Eu também acho legal quando a gente dá lembrancinha pra quem colaborou”.

Elaine, que se casou em 2019, diz:
“Vale a pena passar o sapatinho? Claro e com certeza que vale a pena. Na verdade, em todos os casamentos, todos já vão com isso na cabeça. Têm muitas pessoas que não dão presente e acabam contribuindo na gravata com um dinheiro legal. Justamente o que aconteceu com a gente. Na verdade, a gente não recebeu muitos presentes da lista e ficamos até um pouco preocupados […], mas a gravata nos surpreendeu. Todos que foram deram dinheiro e os que deram mais, foi porque não deram presente. […] Inclusive, usamos o dinheiro da gravata para pagar uma parcela do fotógrafo, para não atrasar.”

Dorigley, que trabalha como fotógrafo de casamentos na equipe da JW Fotografia, relata:
“Acho válido ter a gravata e o sapatinho porque é uma coisa tradicional e todo mundo já sabe que vai acontecer. Acho bacana porque, pelo menos pra gente da imagem, rolam umas fotos bacanas. […] Já vi não ter a gravata, o noivo já colocou no convite que não ia ter, mas que teriam, numa mesa, envelopes para o convidado doar anonimamente. As doações iam para uma campanha beneficente.”

E então? Já sabe se vai incluir essa brincadeira no seu grande dia? Conta para a gente!

Texto e Imagens: JW Fotografia.